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quarta-feira, 21 de março de 2012

Pai Nosso


Se em minha vida não tomo atitudes como filho de Deus, fechando meu coração ao amor. Será inútil dizer "Pai Nosso".
Se os meus valores são representados pelos bens da terra. Será inútil dizer "que estais nos céus".
Se penso apenas em ser cristão por medo, superstição e comodismo. Será inútil dizer "santificado seja o vosso nome".
Se acho tão sedutora a vida aqui, cheia de supérfluos e futilidades. Será inútil dizer "venha a nós o vosso reino".
Se no fundo desejo mesmo é que todos os meus desejos se realizem. Será inútil dizer "seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu".
Se prefiro acumular riquezas, desprezando meus irmãos que passam fome. Será inútil dizer "o pão nosso de cada dia nos dai hoje".
Se não me importo em ferir, injustiçar, oprimir e magoar aos que atravessam o meu caminho. Será inútil dizer "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Se escolho sempre o caminho mais fácil, que nem sempre é o caminho de Deus. Será inútil dizer "e não nos deixeis cair em tentação".
Se por minha própria vontade procuro os prazeres materiais, e se tudo o que é proibido me seduz. Será inútil dizer "livrai-nos do mal".
Se sabendo que sou assim, continuo me omitindo e nada faço para modificar. Será inútil dizer "Amém".

E você, tem feito o que reza? Como anda agindo? Acredite que você pode mudar com o auxílio de Deus.

terça-feira, 20 de março de 2012

Crescer para agradecer


Quando éramos pequenos e ganhávamos um presente, logo ficávamos animados e inquietos com toda a novidade. Assim, facilmente esquecíamos de lado a pessoa que nos havia presenteado e saíamos aproveitando todas as alegrias que aquele novo presente poderia oferecer.
Por graça de Deus e para “estragar o nosso barato”, tínhamos a mamãe que logo vinha interromper nossa farra e nos exortava: “Como é que a gente diz pro titio?”. Por força da obediência, para não dizer por pura força do castigo, tínhamos que responder prontamente: “Obrigado, tio!”. Nosso rosto e nossa expressão não escondiam a clara obrigação do gesto!
No entanto, crescemos. Hoje, já não mais precisamos da mamãe para nos lembrar a gratidão, nosso amadurecimento nos fez gratos. Para nós, é uma verdadeira alegria agradecer os presentes que recebemos de nossos irmãos. Procuramos sempre reconhecer seus esforços em vista de nossas vidas.
No intuito de cultivar e prolongar nossas amizades, nós “fazemos questão” de nos mostrarmos agradecidos e solícitos a eles. Temos grande alegria em partilhar nossas vidas e oferecer nossos dons aos nossos amigos. Que entusiasmo quando descobrimos seus gostos e predileções!
Porém, da mesma forma que acontecia com os “tios” da nossa infância, hoje fazemos com Deus. Ao recebermos inúmeros presentes de suas mãos, dizemos, por pura força da obrigação: “Obrigado, Jesus!”, sem, muitas vezes, colocarmos toda a sinceridade do nosso coração nesse gesto. Acabamos agradecendo Àquele que tanto nos dá de forma apática e mecânica.
Por que não cultivamos, da mesma forma que com nossos irmãos, nossa amizade com Deus? Por que tantas vezes saímos correndo com a “graça de Deus” sem mesmo olhar para Ele? Por que ainda justificamos a nossa ingratidão com as nossas ocupações e esquecimentos? Por que continuamos com os agradecimentos forçados e infantis diante dos presentes que d´Ele recebemos?
É hora de despertarmos para esta bela amizade com o nosso Amado. Nós crescemos, ganhamos maturidade humana e espiritual. E isto tem transbordado em nossas vidas e em nossos relacionamentos, através de gestos concretos.
Ao olharmos para trás, vemos que não foi fácil aprendermos a nos relacionar com as pessoas. Vivemos as decepções e os recomeços. Muitos de nós jovens trazemos até hoje as marcas desse aprendizado. No relacionamento com Jesus não é diferente!
É Deus quem se inclina a nós e aguarda ansiosamente o nosso olhar. A amizade com Ele vai exigir de nós empenho e amor, como já aprendemos e experimentamos. Ele não nos promete uma via fácil. O caminho para uma amizade sincera é de sacrifícios e de renúncias, mas nós já conhecemos as muitas flores que brotam à beira da estrada. Investir em uma união com Deus é apostar na certeza da felicidade.
Está em tempo de nos abrirmos a Cristo. A partir de uma experiência com o Ressuscitado que passou pela Cruz, cresceremos na intimidade com Deus. Mesmo que a nossa gratidão a Ele ainda seja mecânica, ou até mesmo forçada, podemos, sim, crescer nessa amizade começando pelo louvor sincero. 
Inicialmente veremos apenas uma pequena lista de presentes recebidos. Com o tempo e, através do louvor, essa pequenina lista se tornará um grande livro, que, aos poucos, contará a história das nossas vidas.
Investindo nessa amizade, em pouco tempo teremos verdadeira gratidão a Deus. E, com os corações inflamados dessa gratidão, poderemos, então, fazer a oferta generosa das nossas vidas e dos nossos dons ao nosso Amado.

Lorena Soares
Missionária da Com. Católica Shalom